Quedas em idosos

Cair pode não ser um problema muito sério para uma criança, um adolescente ou um adulto jovem. A integridade dos reflexos e dos órgãos sensoriais geram mecanismos de defesa capazes de evitar a queda ou amenizar seu impacto. Enquanto na infância, cair representa um obstáculo a ser vencido e impulsiona o desenvolvimento motor, nas idades mais avançadas uma queda pode trazer consequências devastadoras.

As quedas são responsáveis por 70% das mortes acidentais em pessoas acima de 75 anos e constituem a sexta causa de óbito em pessoas acima de 65 anos. Estes números impressionam principalmente porque estamos habituados a associar causa de mortes acidentais a jovens e não a idosos. Além disso, outras situações muito penosas e mais frequentes podem ser desencadeadas a partir de uma fratura, como a dor crônica, a limitação para voltar a caminhar e até mesmo a restrição ao leito. O medo de cair novamente, que acompanha a maioria dos casos, contribui para que o paciente fique cada vez mais inativo e isolado do seu meio social.

A perda da autoconfiança do paciente nestas situações, associada a uma postura de proteção excessiva por parte dos familiares, desencadeia uma bola de neve em que o paciente fica cada vez mais dependente. Ocorre piora do equilibrio e da força muscular simplesmente pelo desuso, favorecendo o risco de sofrer uma nova queda.

Alguns estudos populacionais estimam a incidência de quedas em 35% para as pessoas de 65 a 84 anos e de 51% para os acima de 85 anos, sendo o sexo feminino o mais acometido. O efeito cumulativo de alterações relacionadas à idade, doenças e meio ambiente inadequado pode predispor às quedas. Assim, podemos dividir os fatores de risco entre intrínsecos e extrínsecos.

No primeiro caso estão as características individuais como redução da capacidade de enxergar, ouvir e sentir, fraqueza muscular, distúrbios do equilíbrio, diminuição dos reflexos e deformidades dos pés. Incluem-se também as doenças já instaladas como as cardiovasculares, neurológicas, psíquicas e endocrinológicas, bem como o uso de medicamentos, especialmente aqueles com efeito sedativo e administrados de modo indiscriminado.

Os fatores de risco extrínsecos envolvem a inadequação do meio ambiente e estão associados a pelo menos metade de todas as quedas. Cerca de 70% delas ocorrem dentro de casa. Alguns exemplos das “armadilhas” no domicílio: tapetes soltos ou com dobras, iluminação inadequada, superfícies escorregadias, degraus altos ou estreitos, obstáculos como móveis baixos, pequenos objetos, fios, prateleiras excessivamente altas ou baixas, calçados inadequados, roupas excessivamente compridas, ausência de corrimão em corredores e banheiros entre outros.

A queda deve sempre ser encarada como um evento sentinela na vida de uma pessoa idosa, ou seja, um indicador de condições clínicas que necessitam de investigação apropriada. De maneira geral as causas são múltiplas e precisam ser abordadas de forma global. Quanto mais frágil é o indivíduo, mais graves serão as consequências deste evento. Otimizar a qualidade de vida do idoso começa com a preservação de sua autonomia e independência, portanto, evitar a queda ainda é o melhor remédio.

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